sexta-feira, 16 de agosto de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Piranha
Ela passa, passos ensaiados,
sua saia, sem mistérios,
sua natureza, sem critérios
passageira, ela vai,
pra onde, um lugar
onde possa, só passar
percebida, conhecida
desejada, desinibida
sua sensualidade fria
sua infelicidade vulgar.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Sem divãs
Abalos sísmicos, retalhos multicor,
em noite de lua nova nasceu a arte livre de forma, de pudor
No rádio, ruídos telemáticos, anunciando em dó menor,
eventos fantásticos, bombas no exterior
eventos fantásticos, bombas no exterior
Vamos à rua, sapatear no silêncio,
buscar na loucura, o suspense de outra aventura
buscar na loucura, o suspense de outra aventura
Porque pra beijar o céu meu amor, só amor não é suficiente, tem que ser feio
Tem que ser indecente.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
No exceptions.
Do sonho de uma ilusão para ilusão de um sonho. Da imaginação para a imersão. Do retrato para o ato.
Esse novo horizonte assustador, de traços alheios, exige de mim um vício. Um culto, uma meta, um fim.
Numa tentativa de atender ao ultimato sem perder a vista integra dessa diversidade interessantíssima que é o homem. Declaro me viciado em algo comum a todos nós, sem exceções.
O ridículo.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Cabeças têm que rolar
Na Grève, em
plena luz do dia, um monstro de ferro e madeira se ergue imponente sobre a
multidão, sobre a massa que anseia por sangue. Cabeças vão rolar, cabeças têm
que rolar. Dizem eles, que a paz do povo se equilibra nas pernas do cadafalso.
Quem são eles? São os maestros dessa harmonia. São os detentores e
propagadores da verdade, imunes a questão. Seus nomes são ocultados por
títulos, seus crimes pela lei, a sua lei.
Haverá sempre a lâmina para aqueles que questionarem. Haverá sempre quem
questionar. Heróis só existem sob a sombra de seus inimigos. Cabeças vão rolar,
cabeças têm que rolar. O espetáculo veste trajes de um julgamento, de um
exemplo para a sociedade. Aqueles que assistem, não assistem. Condenam, mas não
assistem.E cada um que acomoda o pescoço na base da maquina medonha é perdoado
de seus crimes, livre para se tornar uma atração para aqueles que desconhecem da
sua verdadeira história, da sua infelicidade.
O inimigo do povo, antes disso é um amigo dos seus próprios valores. Um
indivíduo com um nome. Um escritor, um pescador, um soldado, uma mãe, um Dr.
Stockmann. Um de nós, que um dia antes se encontrava na mesma Grève encarando
uma guilhotina distante, numa segurança aparente, gozando de uma liberdade
intangível. E que agora é vitima de uma verdade que talvez não seja sua, mas
que pouco importa, pois aqueles que questionam, aqueles que perturbam a paz,
não são dignos da vida . Desprovido de seu direito de viver enquanto ainda
respira, é um saco de carne, sangue e ossos que deve ser fatiado para alegria
dos que virão. Porque afinal, hoje cabeças vão rolar, cabeças têm que rolar.
Hoje a minha e amanha a sua.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Narciso sabia nadar
Abriu os olhos e encarou a vastidão azul que
cobria sua existência física. Como era
bela, a luz, o silêncio, o movimento, a leveza. Contemplando a sinergia que se
materializava a sua volta de forma inédita, cedeu ao convite para o
desconhecido, e imergiu. No leito dos pensamentos, refletiu sobre o dilema da beleza.
Porque agora, finalmente livre do apego aos próprios traços, Narciso sentia a
necessidade de se unir ao novo belo que consumia seus sentidos, de fazer parte
de todo àquele azul, que para ele agora era o absoluto? Tentou amaldiçoar os
deuses, tentou morrer, mas já se tornara um fantoche do desejo, desprovido do
seu consciente, imerso por completo na admiração.
Como o Olimpo
não ouvia seus gritos, negou o divino e convidou o filosófico para uma
introspecção. Fechou os olhos e retornou a caverna espelhada que habitava
anteriormente, antes do mergulho fatídico. Ficou na caverna até que sua imagem
não precisasse mais do reflexo para acompanhá-lo. Abriu novamente os olhos,
admirando as formas inéditas que a luz lhe presenteava, apaixonou se novamente
pela imensidão azul, e viu sua imagem desaparecer. Mesmo invocando o seu outro
belo, Narciso cedeu repetidamente a nova e desconhecida forma da beleza.
Conclui, após a viagem platônica, que a beleza existe independente de forma ou
vida, e que o seu laço com o desejo nasce do inédito, da primeira vista, da
primeira sensação.
Mas era insuficiente, pois ainda não explicava
porque, aquele desejo, aquele sofrimento, era solitário, exclusivo, imune a
qualquer compreensão, a qualquer ciência. Narciso então buscou no juízo de Kant
um caminho para o seu próprio juízo. Foi
um erro, pois ao encarar o belo como despregado de qualquer conceito, como
subjetivo e não adjetivo, viu a beleza se tornar intangível. Aquilo que até
então o convidava para os prazeres do imprevisível, se transfigurou, transformando-se
na feiúra, no outro lado do imã, invocando dentro do coração humano a rejeição,
uma perversidade repleta de sensualidade.
Atingido por sua nova compreensão, Narciso se
viu livre das mãos do desejo. Recobrara os movimentos voluntários, e sentia a
vida correr por suas veias. Olhou para cima e viu a luz que adentrava na
caverna liquida e azul. Nadou como se um renascimento o aguardasse na
superfície, como se fosse sair de um novo útero para então se esquecer de suas
dúvidas e pecados. Contudo não chegou lá, havia imergido demais. Morreu
afogado, com o seu ultimo desejo enchendo lhe os pulmões, ambos finalmente
unidos, ambos sem vida. Eternizados no mito.
domingo, 9 de setembro de 2012
Justiça dos tortos
Nenhum passado é mais amargo do que aquele que não é seu.
Nenhum futuro é mais frustrante do que aquele que, por um passado que não é seu,
deixa de ser seu.
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